Quinta
Feira, 02.07.2009
Um dialeto muito especial
“Perdi uma baita oportunidade!” O relato é a síntese de um desabafo! Assim, entendi, ao escutar o lamento de um jovem após ter sido informado da sua precoce eliminação em um grande concurso público. Enquanto sobram palavras – ou desculpas – faltam explicações.
No mundo há – aproximadamente – cerca de sete mil idiomas. Agregados a estes, em uma menor quantidade, estão os dialetos. Entende-se por dialeto uma – inevitável – variante de um idioma. Uma alteração ou degradação na forma com que uma língua oficial é desenvolvida ou articulada. Uma mesma língua divide-se em inúmeras variedades as quais podem ser abrangentes no diz respeito às condições político-geográfico, ou específicas, isto é, que contém e detém suas características regionais e individuais, próprias de cada grupo social. Na complexidade do mundo contemporâneo, para alguém se fazer entendido, há necessariamente que se observar um princípio – um padrão – a fim de que a comunicação se processe de forma eficaz: o agente ou emissor, o meio ou o código utilizado na comunicação e o ouvinte o receptor. É o critério básico da compreensão mútua. Segundo um estudo das Nações Unidas, mais da metade dos idiomas do mundo estão condenados à extinção. Isso ocorre em virtude do povo que domina o idioma original, não repassá-lo a seus filhos e este termina no esquecimento total.
No relato histórico a escritura aponta-nos que a humanidade dispunha de apenas um idioma. “E era toda a terra de uma mesma língua e uma mesma fala” (Gn 11.1). Na tentativa de centralização, ante o pavor de serem espalhados sobre a terra, os habitantes em Babel – no hebraico, Porta de Deus – constroem um marco: uma torre cujo cume alcance aos céus. Sua ousada investida foi frustrada e em confusão o Senhor, findou com o seu intento. Apesar das diferenças e das limitações impostas à comunicação naquela ocasião – fato que definitivamente os espalhou sobre a face da terra – o homem anela por falar um mesmo idioma. Sua maquinação concebe ao esperanto uma linguagem ou código artificial para a comunicação universal. Na tentativa em dizer a mesma coisa – ou a necessidade de ser compreendido – o homem inventa o seu próprio idioma e, outra vez, frustrado, sucumbe em seus esforços.
Assim, em resposta definitiva a este anseio humano, “Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu único filho para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Deus é amor! O amor do criador, manifesto as suas criaturas na pessoa do Emanuel, é antes e acima de tudo a forma – o meio – utilizada para que os homens, em todos os tempos, reconheçam, se relacionem e compreendam que o Pai os ama. Jesus Cristo, a imagem do Deus invisível, manifestou-se por amor de nós. Seu supremo e incansável desejo é que ninguém se perca, pereça ou que adentre aos tormentos da eternidade, banidos para sempre de sua presença.
Apesar de seu desmedido interesse ao perdoar, redimir e salvar, a humanidade demonstra em atitudes não ter entendido a suprema expressão nem a abrangência desse amor. Por fim, diz-nos o Senhor, que por se multiplicar a iniquidade o amor de muitos esfriaria. Vivemos este tempo? Somos, ainda, capazes de ouvir o que Deus tem a nos dizer ou já não ouvimos mais a sua voz? De fato, para muitos, o amor tornou-se um dialeto estranho de uma linguagem quase incompreensível e bem pouco usual. Está quase morto. Entretanto, apesar das circunstâncias adversas e dos tempos trabalhosos, Deus não mudou. Ele fala, aponta e comunica. Aquele que fez o ouvido escuta, que fez o olho vê, e que fez a boca diz de modo compreensível e especial a cada um: filho meu dá-me o teu coração. Amados. Que baita oportunidade é essa! A propósito, ‘baita’ em nosso idioma – dicionário – significa muito grande, então, por amor a tua alma não perca esta oportunidade imensa que hoje te concede, o Senhor. Antes que os argumentos ou as desculpas soem como palavras desconexas, em um dialeto sem o menor sentido.
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Pb. Jorge Marcírio Camargo de Moraes
Presbítero da Igreja Evangélica Assembléia
de Deus em Santa Maria - RS
Produtor e apresentador do quadro "Momento
de Reflexão" do programa radiofônico
"A Voz da Assembléia de Deus".
depcom@adsantamaria.org.br
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