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Terça
Feira, 07/10/2008
Livrando a pele e salvando a alma
Avassaladora! Desta forma, especialistas definem a avalanche financeira dos últimos dias. O susto foi tão grande que alguns ainda não voltaram a respirar. A nova onda devastadora teve seu epicentro na crise dos bancos americanos provocando um dilúvio econômico global. Warren Buffett, considerado um dos homens mais ricos do mundo, no ano passado batizou os créditos derivativos – uma das muitas invenções bancárias – "de armas financeiras de destruição em massa". Os acontecimentos confirmaram o seu feliz, ou infeliz, prognóstico.
O fascínio demasiado de investidores, a ganância dos especuladores pela riqueza, a falta de transparência e a incerteza mundial estão cada dia mais fora de controle. Como se percebe a crise atual era algo previsível! Porém, onde, como e quando isso vai acabar ninguém sabe! Apenas uma coisa é certa: muitos sairão da complexa selva financeira gravemente feridos. Ninguém está imune às conseqüências! Uma reação em cadeia acaba atingindo todas as economias mundiais, principalmente os países pobres ou os emergentes, que não possuem um lastro financeiro suficiente e satisfatório para reverter à escassez de capital – ou seja, na prática, não há dinheiro e o que existe se tornou caro demais.
O momento é de tensão e expectativa num horizonte nada paradisíaco. Nesta situação um guia de sobrevivência econômica, torna-se um ótimo livro de cabeceira. Economistas e governos montam estratégias para evitar ao máximo os efeitos negativos visando perdas e transtornos mínimos. Entra em ação um salvador plano emergencial. A principal finalidade de um pacote econômico ou apenas de medidas pontuais é salvar os aventureiros financeiros das suas próprias loucuras; pôr a casa em ordem, antes que seja tarde demais.
O homem natural considera-se, aos seus olhos, extremamente sábio. Com jactância estabelece metas e planos empreendedores. Seu entendimento é limitado e falho pois se estriba no próprio entendimento, entregando-se aos enganosos caminhos do coração (Jr 17.5). O saldo extremamente positivo, após abundante colheita é responsável pela manifestação de um sentimento altivo e infeliz. Celeiros e alma fartos! O parecer desprovido e isento de sabedoria, foi alvo de severa e sumária contestação divina: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma; o que tens guardado para quem será?” (Lc 12. 16-20). Galpões abarrotados, não garantem necessariamente, a possibilidade de desfrutar, nem dos grãos, quanto mais dos prazeres da vida. Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos daqui levar. (I Tm 6.7)
Bom e lícito é fazer planos. Entretanto, confiar no Senhor é uma virtude por demais apreciável! (Jr 17.7). Assim, aquele que entesoura para si, não é rico para com Deus (Lc 12.21). A escritura adverte que a riqueza de um homem não consiste na quantidade de bens que possui. Paulo, escrevendo a Timóteo, traz a dura recomendação àqueles que por amar excessivamente as riquezas, transpassaram a si com muitas dores e tormentos, negaram a fé e, por conseguinte perderam a salvação! “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.” (I Tm 6.10).
A recomendação, prescrita nos ensinos de Jesus, deixa-nos livre para investirmos e granjearmos, debaixo do sol. Acorda, porém, que isto deve ser feito de maneira sóbria e honesta, como convém aos filhos da luz. Além disso, prossegue no seu discurso o protesto de que é melhor, mais vantajoso e seguro investir no Reino dos Céus. Local onde traça ferrugem e ladrão jamais tem vez! (Mt 6 19-21). Vão-se os anéis, ficam os dedos! Assim, ainda que o vil metal feneça, evapore ou desapareça nas turbulências do tempo presente, livraremos nossa pele das angústias temporais, como, também, salvaremos nossa alma do tormento eterno, algo que possui infinitamente, muito mais valor!
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Pb. Jorge Marcírio Camargo de Moraes
Presbítero da Igreja Evangélica Assembléia
de Deus em Santa Maria - RS
Produtor e apresentador do quadro "Momento
de Reflexão" do programa radiofônico
"A Voz da Assembléia de Deus".
depcom@adsantamaria.org.br
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