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Momento de Reflexão

Abraão
Segunda Feira, 28/04/2008

Contando as estrelas


Que noite inesquecível. Após abandonar as planícies da Mesopotâmia – terras entre rios –, e Ur, – Terra dos Caldeus – um novo desafio: contar as estrelas do firmamento (Gn 15.5). Obviamente, a tarefa não logrou êxito. Na verdade, esta não era a principal razão do questionamento, nem tão pouco, o seu resultado, atendia a expectativa do Grande Eu Sou. No filho mais novo de Terá, a gênesis do povo hebreu (Gn 12.1). De pagão a patriarca. Um anônimo e peregrino que, em breve, alcançaria respeito e singular notoriedade. Seu testemunho o permite, tombar imortalizado, com o insigne título de amigo de Deus (II Cr 20.7; Tg 2.23). Um herói, identificado na história humana como sendo o Pai da Fé. Creu Abraão no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça (Gn 15.6; Rm 4.3).

Mais que um convite. Uma ordem! Contemporâneo de uma geração perversa, Abrão vê-se admoestado a deixar para trás uma terra corrupta e idólatra e, partir para um lugar que, ainda, lhe era desconhecido. Convicto empenhou-se e, mais que depressa, se pôs obediente, no encalço da promessa (Hb 11.8-10). Sua casa o acompanha na fatigante peregrinação (Gn 12 4-6). Sara, sua mulher, em tudo lhe é fiel. Por maior que fosse, o senso de abnegação e companheirismo, a esterilidade, é um descompasso à ditosa jornada. Um obstáculo perene e incômodo que devia ser ultrapassado e vencido a cada novo dia. Onde estariam os herdeiros? Privada em dar à luz, avançada em idade, aos olhos naturais, tudo, está prestes a sucumbir em vertiginoso fracasso. Vítimas de igual sina, Rebeca e Raquel, partilham solidárias a mesma ‘sorte’. Agonia e lamento transformados em clamor: Dá-me filhos ou morrerei (Gn 30.1).

Sem o fruto do ventre, qual descendência haveria de possuir qualquer tipo de terra? A promessa, no entanto, ratificada a cada instante, tem a chancela do Eterno e, por objeto, alcançar as nações e todas as famílias da terra (Gn 12.3b). Ora, como sabemos, Deus não é Deus de confusão (I Co 14.33). No tempo exato, o choro de Isaque, literalmente, provoca risos (Gn 17.17; Gn 18.8-15; Hb 11.11). Jacó é tido por mais excelente que Esaú. Eleito primogênito e, na disputa, prevalece como Israel – aquele que luta com Deus e prevalece – (Gn 32.28).

Nos evangelhos, ante o advento do Cristo, as mesmas indagações apoderam-se da virgem desposada: como se fará isto, visto que não conheço varão (Lc 1.34)? Gabriel, o mensageiro, anuncia e descortina a Maria a célebre verdade: para Deus nada é impossível (Lc 1.37). Coerente com o ensino do Messias esta verdade não é, em absoluto, uma coincidência: o que nasce da carne, é carne e o que nasce do Espírito, é espírito (Jo 3. 5-7). Nascer de novo, portanto, é essencial. Nicodemos que o diga. O ilustre membro do Sinédrio, aparentando discrição exterior é aguçado nos dilemas mais íntimos da alma: Rabi – Mestre – como pode ser isso? Na verdade, ao que não nascer da água e do Espírito, é privado ver e entrar no reino dos céus (Jo 3. 3-5).

Hoje, em meio a uma geração perversa, idólatra e contaminada pelo pecado, o Verbo de Deus, na voz do Ungido, revela a suprema vontade do Pai: Cristo é o cumprimento da promessa feita a Abraão. Através da sua palavra – água que purifica –, Deus proclama o único meio possível de visualizar o reino: a fé. Ao passo que, a regeneração – o penhor do Espírito Santo –, habilita homens e mulheres à entrada nas mansões celestes. Todavia, persiste a premissa da eleição, da chamada e da vocação dos santos: anda na minha presença, e sê perfeito (Gn 17.1b).

É imprescindível, pois, ao cristão, ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5 13,14). Resplandecer, em meio às trevas, mais do que as estrelas no firmamento (Mt 13.43; Fl 2.15). Do alto e sublime trono, o criador dos céus e da terra, contempla os filhos dos homens, do mesmo modo que conta as estrelas, uma a uma, chamando-as pelos seus nomes (Sl 147.4). Assim, seguramente, jamais esqueceremos ou perderemos a noção de que Deus, tudo fez por nós. Ainda que os frutos da estéril se tornem tão numerosos quanto a areia da praia, ou incontáveis quanto os luminares em noite escura, uma só palavra basta e, nos enche de esperança: o que é impossível aos homens é bem possível para Deus (Mt 19.26).

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Pb. Jorge Marcírio
Presbítero da Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Santa Maria - RS
Produtor e apresentador do quadro "Momento de Reflexão" do programa radiofônico "A Voz da Assembléia de Deus".


depcom@adsantamaria.org.br

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